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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Femininas

 Levanto a cabeça e reconheço outra feminina, igual em tudo na vida, na mesma rotina ingrata que a custo se equilibra sob as mesmas pilastras finas. O mesmo ventre que incha e sangra a cada tantos dias.


Meu nome é mãe, eu tenho outro de pia, mas os que me importam me chamam de mãe, muitas vezes por dia, como há muitas mães, como santo em romaria, me chamam muito de mãe da minha filha.


No olhar da outra, vejo a alegria de quem sai até o raiar do dia, nos olhos pintados, a harmonia de quem é dona de toda sua energia. Dos belos saltos, a nostagia de dias de muito mais euforia.


Sigo em frente e logo vejo outra das nossas. Minissaia e salto quinze, que agonia,

além disso, outra mais com silicone, preenchimento e sem muita anestesia,

Outra ainda já murchinha, abatida da labuta. Uma branca, uma negra, uma amarela e até mesmo uma freira e uma puta.


Somos muitas femininas, pouco diferentes em quase tudo na vida e por isso morremos da mesma morte:

de velhice antes dos vinte - somos sempre velhas demais,

de emboscada antes dos trinta - a violência sempre nos ronda,

de tristeza um pouco por dia.

Um comentário:

Anônimo disse...

Profunda reflexão!