Eu adoro ler. E acho horrível quando as pessoas dizem: eu gostaria de ler, mas não tenho tempo. Como se ler fosse coisa de desocupado.
Mas todo problema é que estou preocupada com as minhas leituras.
Em função do doutorado, tenho lido muito teoria da literatura e nada de literatura. Nada por gosto, com vontade. O último livro legal que li foi "Natália", mas só li por que faz parte da minha tese - então não conta. Então acabo me enquadrando no rol das pessoas que não tem tempo para ler. Leio no ônibus, antes de dormir, enquanto espero qualquer coisa; mas na minha bolsa só tem um livro de sociologia!!!
E agora - que vou para agência de carro - quando vou ler?
Entrei numa livraria esses dias - eu procuro evitar esse tipo de visita para evitar problemas de orçamento - e queria carregar tudo: auto-ajuda, ficção científica, livros infantis e até aqueles de adolescente que agora são tão mais cheios de coisinhas. Ler toda a literatura inútil do mundo e a útil também, se é que essa linha é tão clara.
Já faz tempo que não participo de mesas sobre literatura com especialistas e isso me faz tanta falta. Queria saber se toda literatura, psicologia, sociologia, filosofia, história e antropologia não é uma forma de auto-ajuda, uma maneira de tentar nos compreender para viver melhor, um jeito de ver mundo com o olhar do outro,de viajar no tempo e no espaço e conhecer. Por isso, às vezes, quero ler tudo - ler para saber, para opinar, para não gostar. Não quero dizer (como certa vez um professor meu disse) não li e não gostei. Quero o direito à leitura! Já!
8)
sábado, 25 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
A propósito da negação do passado
Nossa geração se acha muito múltipla e tolerante, mas despreza nosso passado de um forma tão afrontosa que nem se dá conta. Podemos mudar o futuro, mas não o passado.
A censura à obra de Monteiro Lobato é só mais um exemplo disso. O autor é machista, racista e autoritário, mas ele é só reflexo de toda sociedade de seu tempo. Se escondermos isso de nossos jovens estaremos fadados a repetir nosso erros enquanto civilização. Logo outro jovem cientista vai querer provar qual é a etnia mais forte ou mais inteligente e vamos voltar aos anos negros.
Entender que todos são iguais é uma necessidade, mas saber que nem sempre foi assim é quase tão importante quanto.
Lembrei de uma aula em que falava com uma aluna sobre a luta pelos direitos das mulheres. Ela, uma jovem de 15 anos, não compreendeu. Como assim? Por que direitos das mulheres, se elas fazem tudo e até mais do que os homens. Assustada com a verdade da resposta, expliquei por que era importante conhecer esse passado e cuidar para que ele não se repetisse, seja na versão machista ou numa pós-moderna versão feminista.
É preciso conhecer o passado, saber das injustiças já cometidas para manter a igualdade - ela é um bem precioso.
A censura à obra de Monteiro Lobato é só mais um exemplo disso. O autor é machista, racista e autoritário, mas ele é só reflexo de toda sociedade de seu tempo. Se escondermos isso de nossos jovens estaremos fadados a repetir nosso erros enquanto civilização. Logo outro jovem cientista vai querer provar qual é a etnia mais forte ou mais inteligente e vamos voltar aos anos negros.
Entender que todos são iguais é uma necessidade, mas saber que nem sempre foi assim é quase tão importante quanto.
Lembrei de uma aula em que falava com uma aluna sobre a luta pelos direitos das mulheres. Ela, uma jovem de 15 anos, não compreendeu. Como assim? Por que direitos das mulheres, se elas fazem tudo e até mais do que os homens. Assustada com a verdade da resposta, expliquei por que era importante conhecer esse passado e cuidar para que ele não se repetisse, seja na versão machista ou numa pós-moderna versão feminista.
É preciso conhecer o passado, saber das injustiças já cometidas para manter a igualdade - ela é um bem precioso.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
A propósito da Pressa que me rendeu mais um tombo
Eu já prometi parar com toda essa pressa. Já jurei pensar mais e correr menos. Já disse que não quero ocupar todíssimo meu tempo com coisas úteis e me castigar por cada minuto "desperdiçado" - sim, eu sou um modelo de administração do tempo - e isso é péssimo. Não é como nos treinamentos de eficiência e eficácia. Na vida privada só cansa, causa acidentes e pode até matar.
Pois é,eu tento ser uma dona de casa razoável, economiária competente, professora doutora em gestação, esposa, filha, neta e boa amiga. Tudo agora imediatamente.
Por isso estou sempre com pressa.
Por isso corro.
Por isso me acidento.
Sábado fui limpar o chão da cozinha, pois derrubei farinha no chão fazendo um bolo para esperar minhas queridas colegas da faculdade que vieram me visitar para ver o álbum do casamento (sim, só agora ficou pronto). Correndo no chão molhado para guardar o balde antes das gurias chegarem escorreguei e caí de cabeça no chão. Não sei como, foi um salto mortal ou um duplo twist carpado sei que minha cabeça bateu com força no chão e escorregou até a parede onde o resto do corpo amontoou. Na hora, tomei qualquer coisa par dor e recebi os amigos tranquilamente. Dormi tarde e cansada e nem lembrei mais de tombo nenhum.
No domingo, ao tentar levantar, lembrei bem o que tinha causado toda aquela dor e dificuldade. Não pude levantar. Dor. Tomei remédio e levantei ao meio dia, mas o joelho roxo e o ombro imóvel ainda doíam muito. Minha mãe me carregou para o traumato, fiz raio x e não quebrei nada, mas dada a minha situação delicada (minha clavícula daquele ombro saiu do lugar há uns 15 anos atrás e nunca mais se recuperou) o médico além dos antiinflatórios botou meu braço na tipóia.
Fim da correria - de molho dois dias. Juro que vou parar de correr.
Pois é,eu tento ser uma dona de casa razoável, economiária competente, professora doutora em gestação, esposa, filha, neta e boa amiga. Tudo agora imediatamente.
Por isso estou sempre com pressa.
Por isso corro.
Por isso me acidento.
Sábado fui limpar o chão da cozinha, pois derrubei farinha no chão fazendo um bolo para esperar minhas queridas colegas da faculdade que vieram me visitar para ver o álbum do casamento (sim, só agora ficou pronto). Correndo no chão molhado para guardar o balde antes das gurias chegarem escorreguei e caí de cabeça no chão. Não sei como, foi um salto mortal ou um duplo twist carpado sei que minha cabeça bateu com força no chão e escorregou até a parede onde o resto do corpo amontoou. Na hora, tomei qualquer coisa par dor e recebi os amigos tranquilamente. Dormi tarde e cansada e nem lembrei mais de tombo nenhum.
No domingo, ao tentar levantar, lembrei bem o que tinha causado toda aquela dor e dificuldade. Não pude levantar. Dor. Tomei remédio e levantei ao meio dia, mas o joelho roxo e o ombro imóvel ainda doíam muito. Minha mãe me carregou para o traumato, fiz raio x e não quebrei nada, mas dada a minha situação delicada (minha clavícula daquele ombro saiu do lugar há uns 15 anos atrás e nunca mais se recuperou) o médico além dos antiinflatórios botou meu braço na tipóia.
Fim da correria - de molho dois dias. Juro que vou parar de correr.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Sobre a falácia do Pluralismo
A moda agora é ser plural, mas cada vez mais se criam radicais.
Os homossexuais desconfiam que todo hetero está no armário.
O legal é respeitar as diferenças desde que todos pensem igual. Temos de respeitar o amor livre, mas não respeitamos o outro - que se tornou mero objeto - afinal a "fila tem de andar" e esse é só mais um ser descartável que passou. A máxima de Exupéry "és responsável pelo que cativas" é demodê. Demais! Tempos líquidos, como diria Bauman.
Esses dias, por puro esquecimento (afinal já tinha desistido disso antes), entrei em uma pseudo- polêmica no facebook. Digo "pseudo" pois todos já sabem que todos estão de acordo e ficam ecoando ali seus próprios pensamentos. Asnum asinus fricat. Cada vez mais acho que os latinos tinham razão. Estupidez minha achar que poderia haver algum diálogo ali. Pronunciei minha humilde opinião, diferente da posta e fui fulminada por uma série de respostas reativas e redundantes. Tudo bem, até me chamarem de ignorante. Para mim, fim de linha: a criatura nem sabe quem eu sou, nem com base em que formei aquela opinião e me chama de ignorante por discordar dele! Viva a pluralidade!! E mais ainda a HIPOCRISIA desse pluralismo radical.
Tenho convicções fortes. Respeito pessoas assim: que querem e sabem defender seu ponto de vista. Mas acima disso, respeito a opinião dos outros e sei que ela também tem motivações que a sustentam. Ninguém é ignorante por discordar - contudo se ignoram muitas coisas por não saber ouvir.
Nesse mundo em que as pessoas explodem as divergências com bombas, poderíamos respeitá-las um pouco mais - principalmente aqueles que se dizem minoria.
Outra coisa esdrúxula é esse feminismo igual ao machismo. Substituir uma coisa pela outra não vai ajudar. A propaganda da Bombril é um exemplo disso. Um humor feminista estúpido. E burro, pois ainda coloca a mulher como a "limpadora" do lar.
Sinceramente, não sei onde vamos parar. Pode ser clichê, todavia é cada vez mais real.
Os homossexuais desconfiam que todo hetero está no armário.
O legal é respeitar as diferenças desde que todos pensem igual. Temos de respeitar o amor livre, mas não respeitamos o outro - que se tornou mero objeto - afinal a "fila tem de andar" e esse é só mais um ser descartável que passou. A máxima de Exupéry "és responsável pelo que cativas" é demodê. Demais! Tempos líquidos, como diria Bauman.
Esses dias, por puro esquecimento (afinal já tinha desistido disso antes), entrei em uma pseudo- polêmica no facebook. Digo "pseudo" pois todos já sabem que todos estão de acordo e ficam ecoando ali seus próprios pensamentos. Asnum asinus fricat. Cada vez mais acho que os latinos tinham razão. Estupidez minha achar que poderia haver algum diálogo ali. Pronunciei minha humilde opinião, diferente da posta e fui fulminada por uma série de respostas reativas e redundantes. Tudo bem, até me chamarem de ignorante. Para mim, fim de linha: a criatura nem sabe quem eu sou, nem com base em que formei aquela opinião e me chama de ignorante por discordar dele! Viva a pluralidade!! E mais ainda a HIPOCRISIA desse pluralismo radical.
Tenho convicções fortes. Respeito pessoas assim: que querem e sabem defender seu ponto de vista. Mas acima disso, respeito a opinião dos outros e sei que ela também tem motivações que a sustentam. Ninguém é ignorante por discordar - contudo se ignoram muitas coisas por não saber ouvir.
Nesse mundo em que as pessoas explodem as divergências com bombas, poderíamos respeitá-las um pouco mais - principalmente aqueles que se dizem minoria.
Outra coisa esdrúxula é esse feminismo igual ao machismo. Substituir uma coisa pela outra não vai ajudar. A propaganda da Bombril é um exemplo disso. Um humor feminista estúpido. E burro, pois ainda coloca a mulher como a "limpadora" do lar.
Sinceramente, não sei onde vamos parar. Pode ser clichê, todavia é cada vez mais real.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Sobre "As Melhores coisas do mundo"
Ontem, quando vi esse filme, percebi o quanto ainda sou adolescente. Pode soar profundamente ridículo, ainda mais levando em conta que ano que vem chego aos 30.
Mas sou. E daí?
Ainda acredito em grandes amores (talvez por isso tenha casado com meu primeiro namorado sério). E, principalmente, o que cada vez mais me parece a ingenuidade das ingenuidades, eu acredito na felicidade.
Não! Eu não acredito nos finais felizes dos filmes, mas sei que podemos ser felizes e isso é uma decisão. Não é uma condição - independe das circunstâncias.
Fora eu ser uma velha retardada, o filme é muito bonito, mas preocupa.
Será que nossas escolas estão assim tão semelhantes àquelas americanas que vemos nos filmes: cheias de estupidez, burrice e intolerância? Por quê? Até onde alcanço nossa antropologia não embasa esse tipo de comportamento. Estamos copiando-os juntamente no eles tem de pior, ou pior, estamos copiando-os em tudo. E agora que o sistema deles mostra claros sinais de enfraquecimento? Por quê?
A escola deles é seu maior ponto fraco. É uma escolarização imbecilizante que discrimina os alunos desde suas primeiras letras. Ela, por sua estrutura, incentiva o tipo de comportamento segregacionista que vemos no filme. No meu tempo de escola, não éramos assim. Melhor para nós; mas que escola espera nossos filhos? Se é que teremos coragem de tê-los.
Tá bem. Sou professora. A escola é uma das minhas preocupações fundamentais, mas não deveria ser a de todos que mandam seus filhos para lá? O filme mostra bastante da estrutura escolar e do mundo adolescente.
Achei bastante poético e acho que vale a pena.
Mas sou. E daí?
Ainda acredito em grandes amores (talvez por isso tenha casado com meu primeiro namorado sério). E, principalmente, o que cada vez mais me parece a ingenuidade das ingenuidades, eu acredito na felicidade.
Não! Eu não acredito nos finais felizes dos filmes, mas sei que podemos ser felizes e isso é uma decisão. Não é uma condição - independe das circunstâncias.
Fora eu ser uma velha retardada, o filme é muito bonito, mas preocupa.
Será que nossas escolas estão assim tão semelhantes àquelas americanas que vemos nos filmes: cheias de estupidez, burrice e intolerância? Por quê? Até onde alcanço nossa antropologia não embasa esse tipo de comportamento. Estamos copiando-os juntamente no eles tem de pior, ou pior, estamos copiando-os em tudo. E agora que o sistema deles mostra claros sinais de enfraquecimento? Por quê?
A escola deles é seu maior ponto fraco. É uma escolarização imbecilizante que discrimina os alunos desde suas primeiras letras. Ela, por sua estrutura, incentiva o tipo de comportamento segregacionista que vemos no filme. No meu tempo de escola, não éramos assim. Melhor para nós; mas que escola espera nossos filhos? Se é que teremos coragem de tê-los.
Tá bem. Sou professora. A escola é uma das minhas preocupações fundamentais, mas não deveria ser a de todos que mandam seus filhos para lá? O filme mostra bastante da estrutura escolar e do mundo adolescente.
Achei bastante poético e acho que vale a pena.
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