A Preta era a Seleste quando criança, mas ela desbotou até ficar azul... celeste.
A Preta achava que era uma mulher independente, que ria de suas amigas que queriam "a minha casinha, com os meus filhinhos". A Preta queria fazer carreira, provavelmente no direto; não ligava para o corpo, só queria ler poesia e mudar o mundo. Talvez a Preta virasse Hippie ou revolucionária.
A Preta não queria casar até encontrar o cara. Foi aí que ela cresceu: quis casar, construiu uma casa e até pensa em ter filhos - a Preta virou Seleste.
Seleste é professora e Bancária. Malha todo dia, só lê prosa, praticamente abandonou a poesia. Ainda quer um mundo diferente, talvez para seus filhos; mas não vai ser Hippie nem revolucionária. Talvez uma bancária ou professora diferente que instrui alunos e clientes sobre futuro e que acredita nas sementes lançadas.
Talvez ainda haja um pouco de Preta em Seleste.
8)
domingo, 11 de dezembro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Fadada à alegria
Era um dia para ser triste. Se meu pai estivesse vivo, completaria 53 anos.
É certo que já tive em muitos anos a chance de chorar essa perda, mas nesse ano me dei conta de como eu seria diferente de mim mesma se ele estivesse vivo e definitivamente não sei se eu gostaria dessa outra versão de mim mesma. O que me fez concluir que a morte dele teve uma função. Isso me deu uma dose de culpa. E me deixou meio chateada.
Cheguei no trabalho, ganhei água na mesa, porque uma querida colega sempre deixa minha garrafa cheia ao chegar; depois, uma cliente veio me procurar só para me deixar um presente - pelo simples fato de eu tê-la atendido - eu nem a atendi muito bem, andava atucanada com coisas que dessem resultados (clientes, em um banco, nem sempre são os resultados pretendidos).
À tarde, estava organizando umas gavetas e encontrei um cartão que chegara a pouco, de um colega, o chamei e entreguei. Recebendo-o ele disse: se tu não existisse, seria necessário te inventar. Sei que não falou isso por esse ato isolado, o que faz ter ainda mais valor.
Logo depois fui pedir um favor a outro colega, estava me preparando para pedir uma coisa que sabia que ele não gostava muito de fazer e cheguei fazendo rodeios. Ele me olhou e disse para a cliente que estava atendendo: não é uma gracinha?! E não foi irônico. Mais tarde, a estagiária que trabalha conosco trouxe uma garrafa de Coca-Cola e disse brincando: vamos abrir a felicidade? (Em menção à propaganda)
Fui para casa mais feliz, mas ainda desconfortável. Passei na casa da mãe para deixar umas coisas e nós (minha mãe e meus dois irmãos) sentamos e tomamos um chimarrão. A mãe comentou que seria aniversário dele e comentamos um pouco sobre isso. Nada trágico. Fui buscar o meu marido para irmos para casa e ele me convidou para jantar e ver um filme. De repente comecei a chorar. Ele tentava me consolar de todo jeito, se desculpava por milhares de coisas que julgava serem motivos de tal crise de choro; quando consegui respirar, falei o que tinha me deixado triste, ele continuou me consolando até que eu mesma não visse mais sentido nenhum em chorar e fiquei feliz.
Parece que existem pessoas fadadas a tristeza, acho que sou fadada a felicidade.
É certo que já tive em muitos anos a chance de chorar essa perda, mas nesse ano me dei conta de como eu seria diferente de mim mesma se ele estivesse vivo e definitivamente não sei se eu gostaria dessa outra versão de mim mesma. O que me fez concluir que a morte dele teve uma função. Isso me deu uma dose de culpa. E me deixou meio chateada.
Cheguei no trabalho, ganhei água na mesa, porque uma querida colega sempre deixa minha garrafa cheia ao chegar; depois, uma cliente veio me procurar só para me deixar um presente - pelo simples fato de eu tê-la atendido - eu nem a atendi muito bem, andava atucanada com coisas que dessem resultados (clientes, em um banco, nem sempre são os resultados pretendidos).
À tarde, estava organizando umas gavetas e encontrei um cartão que chegara a pouco, de um colega, o chamei e entreguei. Recebendo-o ele disse: se tu não existisse, seria necessário te inventar. Sei que não falou isso por esse ato isolado, o que faz ter ainda mais valor.
Logo depois fui pedir um favor a outro colega, estava me preparando para pedir uma coisa que sabia que ele não gostava muito de fazer e cheguei fazendo rodeios. Ele me olhou e disse para a cliente que estava atendendo: não é uma gracinha?! E não foi irônico. Mais tarde, a estagiária que trabalha conosco trouxe uma garrafa de Coca-Cola e disse brincando: vamos abrir a felicidade? (Em menção à propaganda)
Fui para casa mais feliz, mas ainda desconfortável. Passei na casa da mãe para deixar umas coisas e nós (minha mãe e meus dois irmãos) sentamos e tomamos um chimarrão. A mãe comentou que seria aniversário dele e comentamos um pouco sobre isso. Nada trágico. Fui buscar o meu marido para irmos para casa e ele me convidou para jantar e ver um filme. De repente comecei a chorar. Ele tentava me consolar de todo jeito, se desculpava por milhares de coisas que julgava serem motivos de tal crise de choro; quando consegui respirar, falei o que tinha me deixado triste, ele continuou me consolando até que eu mesma não visse mais sentido nenhum em chorar e fiquei feliz.
Parece que existem pessoas fadadas a tristeza, acho que sou fadada a felicidade.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Amigos
Há amigos que são como os congressos ou as viagens marítimas: têm seu tempo e espaço circunscritos. (Cf. Helder Macedo)
domingo, 21 de agosto de 2011
Memória e tecnologia
Somos memória e a história de nossa civilização também é. Principalmente a cultural, mas o fato é que a tecnologia interferiu de maneira contundente na forma de nossa civilização armazenar memórias e assim também interferiu no nosso juízo sobre as coisas.
Exemplifico: Hoje as pessoas costumam dizer que não há mais a criatividade musical que existiu nas décadas de 50,60,70 e até 80. Pode ser verdade, mas eu acho que não é bem assim. O problema é que essas gerações tiveram a oportunidade de nos deixar seu legado gravado, enquanto as gerações antes deles não a tiveram ou a tiveram de maneira muito precária. Desta forma tudo o que eles criaram, embora muita coisa viesse do passado, pareceu original e seus ícones foram consagrados e, para a felicidade ou infelicidade das gerações futuras, foram gravados. Por isso tudo nos parece cópia.
Discorda? Então imagina como seria seu critério sobre guitarristas se você nunca tivesse ouvido Chuck Berry ou Jimi Hendrix.
Exemplifico: Hoje as pessoas costumam dizer que não há mais a criatividade musical que existiu nas décadas de 50,60,70 e até 80. Pode ser verdade, mas eu acho que não é bem assim. O problema é que essas gerações tiveram a oportunidade de nos deixar seu legado gravado, enquanto as gerações antes deles não a tiveram ou a tiveram de maneira muito precária. Desta forma tudo o que eles criaram, embora muita coisa viesse do passado, pareceu original e seus ícones foram consagrados e, para a felicidade ou infelicidade das gerações futuras, foram gravados. Por isso tudo nos parece cópia.
Discorda? Então imagina como seria seu critério sobre guitarristas se você nunca tivesse ouvido Chuck Berry ou Jimi Hendrix.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Liberdade e Segurança
Não existe liberdade total bem como não existe completa segurança.
Por isso, cada atitude que tomamos deve ser balanceada entre o risco e o benefício. Eu gostaria de tomar chimarrão na minha calçada para ver o movimento e cumprimentar os vizinhos (como faz o pessoal do interior) e andar pela rua sempre que tivesse vontade, mas depois das 10, não ando para lugar nenhum.
Como calcular o risco certo?
Não temos como saber o que pode dar errado: é como estar parado numa sinaleira às 3 da manhã.
Passando o sinal, tu pode levar uma multa, encontrar um outro carro em alta velocidade ou pode não acontecer nada e tu ainda chega mais rápido em casa.
Parando, tu pode ser assaltado, sequestrado ou simplesmente chegar em casa tranquilo sabendo que cumpria a lei e era precavido.
Que grau de risco é possível assumir para manter a vida interessante?
Como não ser paralizado pelo medo?
Por isso, cada atitude que tomamos deve ser balanceada entre o risco e o benefício. Eu gostaria de tomar chimarrão na minha calçada para ver o movimento e cumprimentar os vizinhos (como faz o pessoal do interior) e andar pela rua sempre que tivesse vontade, mas depois das 10, não ando para lugar nenhum.
Como calcular o risco certo?
Não temos como saber o que pode dar errado: é como estar parado numa sinaleira às 3 da manhã.
Passando o sinal, tu pode levar uma multa, encontrar um outro carro em alta velocidade ou pode não acontecer nada e tu ainda chega mais rápido em casa.
Parando, tu pode ser assaltado, sequestrado ou simplesmente chegar em casa tranquilo sabendo que cumpria a lei e era precavido.
Que grau de risco é possível assumir para manter a vida interessante?
Como não ser paralizado pelo medo?
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